FINANÇAS PESSOAIS | Veja dicas para poupar cedo e ter mais chance de manter padrão na velhice

Cooperativa

Folha SP - A reforma que o governo quer fazer nas regras da Previdência deve ter como consequência uma aposentadoria menor para quem está hoje no mercado de trabalho.

Isso aumenta a necessidade de planejar para não ver o padrão de vida cair na velhice ou depender de familiares para pagar as contas da casa.

 O governo quer exigir idade mínima de 65 anos para aposentadoria, e pelo menos 25 anos de contribuição. A proposta deverá ser enviada ao Congresso até dezembro. 

Mas isso garantiria apenas 75% do benefício que as regras atuais do INSS asseguram a trabalhadores que somam 35 anos de contribuição, ou 30 no caso das mulheres. 

Pela proposta do governo, seria preciso trabalhar mais para alcançar o mesmo benefício, somando 1% a cada ano adicional de contribuição. 

Para receber o valor máximo do INSS, seria preciso trabalhar mais 25 anos contribuindo pelo teto do INSS. Alguém que entrou no mercado de trabalho aos 20 ficaria na ativa até os 70 anos para ganhar o benefício completo. 

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

 Se hoje já é difícil se aposentar pelo teto, de R$ 5.189, a reforma pode tornar esse objetivo mais inatingível. 

"A vida ficará pior para o futuro aposentado. Ou o governo vai reduzir o teto do INSS ou será preciso contribuir mais para ter aposentadoria integral", diz André Leite, sócio da TAG Investimentos. 

Especialistas sugerem que, desde o início da vida profissional, o trabalhador economize uma fatia do salário para complementar o benefício que espera da Previdência. 

A Folha desenvolveu, com apoio da planejadora financeira Letícia Camargo, uma calculadora que ajuda a estimar a economia necessária para complementar a renda depois de deixar a ativa. 

A ferramenta permite informar até três salários em períodos diferentes da vida profissional. Assim, é possível projetar o crescimento da renda ao longo da vida produtiva até os 65 anos, e o percentual economizado. 

Com essas informações, a calculadora mostra quanto a pessoa terá para complementar a renda com base no último salário e o valor do benefício do INSS estimado. 

A planejadora financeira recomenda que alguém que comece a trabalhar aos 20 anos comece poupando 8% do que ganha. Aos 30, é possível aumentar a economia para 10% da renda. 

Esse percentual deve crescer para 13% depois 40 anos e se manter por 25 anos, até a aposentadoria. 

Há uma outra forma de fazer esse cálculo, sugerida pelo planejador financeiro Helio Fugagnoli Neto. 

Aos 35 anos, o trabalhador precisaria de um ano da renda bruta investida para a aposentadoria. Aos 45 anos, 3 anos de renda acumulada. Aos 65 anos, quando se aposentar, 9 anos da renda. 

"As pessoas nunca sabem se estão juntando pouco e vão viver muito ou se estão juntando muito e vão viver pouco. Essa conta ajuda a dar um parâmetro para manter o padrão de vida", afirma Fugagnoli Neto.