ENTREVISTA| Deputado italiano Fabio Porta: “não existem fronteiras na luta por cidadania”

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Texto e foto por Ricardo Flaitt / Imprensa Sindnapi - Criado em meio à uma família de lideranças políticas, que exerceram funções como governador na Sicília, integrantes do partido socialista e que participaram do movimento estudantil católico, Fabio Porta tem no sangue a boa política em sua formação, voltada para a construção de um mundo mais justo.

Com forte atuação na defesa dos direitos dos italianos, dos ítalo-brasileiros e pela ampliação do intercâmbio entre os países, aos 30 anos, em solo brasileiro, participou ativamente das lutas dos trabalhadores por meio do movimento sindical.

O trabalho intenso e produtivo foi decisivo para que, em 2007, fosse convidado a lançar-se como representante do parlamento italiano. Eleito deputado federal em 2008 e reeleito em 2013, Porta agora encara um novo desafio, disputando uma cadeira no Senado.

Confira a entrevista:

Depois de dois mandatos como deputado, o que o levou a candidatar ao senado?

Fabio Porta – Uma atuação maior junto ao governo, estar mais próximo do centro das decisões, sendo um articulador político dentro do partido nos diálogos com o governo. Os dois mandatos como deputados me proporcionaram experiência para o cargo de senador, posição em que poderei ampliar a luta pelos direitos dos cidadãos ítalo-brasileiros, dos italianos residentes e no intercâmbio de projetos na relação entre os dois países.

Durante os dois mandatos de deputado, que somam 10 anos, quais os principais projetos?

Fabio Porta – Dentre os principais, destaco o acordo que permitiu a transferência de recursos para ampliação e melhoria do atendimento consular aos cidadãos ítalo-brasileiros e dos italianos residentes no Brasil, diminuindo significativamente a espera na tramitação de documentos, a exemplo, para requisição da dupla cidadania. Nas relações entre os países, sou autor do projeto para o reconhecimento da Carteira de Motorista (CNH) brasileira na Itália, estabelecemos um acordo entre os governos para que os aposentados brasileiros possam receber seus benefícios na Itália, ampliação as relações comerciais entre os dois países, criação de empresas binacionais e um conjunto de ações para o intercâmbio socioeconômico, cultural e sindical.

Qual a importância de um representante do parlamento italiano no Brasil?

Fabio Porta – Existem 400 mil ítalo-brasileiros com direito a voto, incluindo os italianos, que residem no Brasil, constituindo uma comunidade muito forte, que precisa de representação para assegurar os seus direitos. Havendo um representante local, assim se forma um canal direto para estabelecer políticas públicas, que compreendam as necessidades dos italianos e dos ítalo-brasileiros.

Como é exercido o processo eleitoral para os italianos residentes no Brasil?

Fabio Porta – Tanto o italiano residente aqui, quanto o brasileiro que adquiriu a cidadania italiana, que já estão recebendo, em suas residências, uma carta com uma cédula eleitoral, onde terá que indicar o partido e nome do candidato. Depois basta remeter de volta, gratuitamente, via correios até o dia 28 de fevereiro.

O que poderá ser feito em prol dos aposentados, pensionistas e idosos?

Fabio Porta – A luta por uma previdência pública justa é comum entre aposentados brasileiros e italianos. Em realidade, é uma luta mundial para assegurar os direitos dos trabalhadores para terem uma vida digna na terceira idade.