Manter a taxa básica de juros na estratosfera com o objetivo de controlar uma inflação que até agora tem se mostrado incontrolável, aumentar as tarifas públicas, reduzir direitos trabalhistas e sociais para gerar superávit primário, reduzir a renda e tornar caro o crédito, entre outros equívocos, foram apostas do governo que não deram certo, e que culminaram por colocar a economia brasileira “ladeira abaixo”.

Primeiro a inflação, depois os juros altos e, por fim, o desemprego. Esse é o processo natural de uma economia descontrolada, mal gerida e mal planejada que agora nos chega com a sua face mais cruel que é a perda de postos de trabalho generalizada.

Infelizmente o “bicho papão” está presente na nossa economia. A Inflação. Lembro-me quando era um adolescente lia alguns artigos de revista que ilustravam a inflação como um dragão voraz. Ele voltou e está atazanando a vida dos brasileiros.


A alta da inflação neste ano de 2015 tem sido a principal responsável pela elevação da taxa de juros Selic. Taxa esta que é a grande referência para o mercado financeiro e para a economia do país como um todo, pois representa o custo do dinheiro. A partir dela, todas as demais taxas são ajustadas, para mais ou para menos. Portanto, uma alta da Selic representa um maior potencial de ganhos nas “aplicações financeiras” e, ao mesmo tempo, um custo adicional para os tomadores de empréstimos. A estimativa do mercado, de acordo com a pesquisa de mercado Focus, bem como analistas e especialistas, é de que a Selic poderá atingir patamares próximos a 14% ainda neste ano e a inflação superar os 8% no período. Essa é expectativa dos entendidos para alegria dos Bancos.

É só olhar o cenário do ano de 2015 que já mostra, mais uma vez, as consequências de uma política econômica deletéria e desastrosa do Governo Federal na qual, desgraçadamente, o governo do Partido dos Trabalhadores têm insistido: esperar que apenas o juro alto dê conta de trazer a inflação oficial para o centro da meta projetada de 4,5% ao ano. Pura Ilusão. O Banco Central, ao elevar ainda mais o juro real, já o mais alto do planeta, em completo desalinho com as taxas médias reais próximas ou abaixo de zero praticadas lá fora, cria sequelas terríveis que, na prática, anulam o esforço inicial de contenção de demanda previsto pelos economistas oficiais.

Claro, para os investidores este cenário representa um maior risco e ao mesmo tempo uma oportunidade. Aliás, risco é oportunidade, pois quanto maior o risco de um investimento, maior seu potencial de ganhos. Risco porque a inflação elevada tende a exigir maiores rentabilidades das aplicações para que o investidor não fique no vermelho, pois há a possibilidade de seu investimento render menos que a inflação. Neste cenário, ele teria rentabilidade real negativa e, consequentemente, perda de patrimônio real. Mas isto representa também uma oportunidade, pois as taxas de juros dos investimentos, principalmente os mais conservadores e ligados à renda fixa, estão se elevando e, atualmente há excelentes investimentos, com riscos muito pequenos e grandes rentabilidades.

Por outro lado, os investimentos na velha “Caderneta de Poupança”, neste cenário, não são recomendados. Mesmo com a taxa de juros em alta e possivelmente superando 13% ao ano, a poupança deverá continuar com sua “minguada” rentabilidade inferior a 7% ao ano. Portanto, é bastante provável que a rentabilidade da Caderneta seja inferior a inflação, trazendo, desta maneira, perda de patrimônio real para o investidor.

Errado é o governo, que, anos a fio, se conforma em aceitar juros de mal pagador. Diferente de países de vida financeira normal, aqui a elevação de juros é comemorada por relevantes segmentos da economia, atrelados a vantagens na rolagem da enorme dívida dos governos estaduais, que consome a bagatela de R$260 bilhões ao ano em custo de financiamento. Nesse esquema até o Governo Federal, pasmem, “lucra” com os encargos que faz o contribuinte pagar, pois cobra Imposto de Renda aos rentistas.

Prof. Jânio Batista de Macedo – Presidente do SINDNAPI MS

O governo federal deu, mais uma vez, uma forte demonstração de sua já conhecida insensibilidade social, ao vetar a fórmula 85/95 para o cálculo das aposentadorias como uma alternativa ao Fator Previdenciário, e por criar, por meio de edição de Medida Provisória (MP), a progressividade da idade e do tempo de contribuição à Previdência Social, baseada nas mudanças da expectativa de sobrevida, que diminui as vantagens da fórmula e dificulta o acesso dos trabalhadores brasileiros à aposentadoria.


A grande verdade é que, de forma simulada, o que o governo pretende é promover uma reforma previdenciária por meio de pequenas alterações, que não trarão qualquer benefício para os trabalhadores.

A Força Sindical, ao lado das demais Centrais, que sempre lutaram em favor de uma alternativa justa ao Fator Previdenciário, vai mobilizar os trabalhadores para sensibilizar os parlamentares no Congresso Nacional pelo aprimoramento da fórmula 85/95, coisa que a progressividade constante da MP editada pelo governo não faz. A fórmula 85/95 daria ao trabalhador uma opção de escolha entre ela e o Fator ao atingir 85 e 95 anos, respectivamente para mulheres e homens, somando-se idade e tempo de contribuição.

A regra da progressividade, da forma como foi apresentada pelo governo, considera a fórmula 85/95 para 2016. Para 2017, a fórmula será majorada em um ponto (86/96), ficando mantida em 2018 e novamente majorada em 2019, quando será 87/97; em 2020 será 88/98; em 2021, 89/99; e, em 2022, 90/100. Em suma: a regra da progressividade anula, em pouco tempo, os ganhos que vierem a ser obtidos com a regra 85/95.

O autoritarismo do governo Dilma tem de terminar. A presidenta não pode empurrar, “goela abaixo” da classe trabalhadora, medidas totalmente prejudiciais para todos nós. A luta da Força Sindical e das demais Centrais, em unidade de ação, para aprimorar a fórmula 85/95, que será apreciada em breve no Congresso, vai continuar e ser intensificada nas ruas e no Planalto Central.

Nossa luta é por um Brasil mais igualitário e justo socialmente!

Miguel Torres é Presidente da Força Sindical

Nos pronunciamentos da presidente Dilma, repetidamente utilizou-se a palavra humildade. Um sentimento que tem como essência desprover as pessoas das perfumarias da vida e que permite, entre outros, a compreensão por meio do diálogo. É fato que um dos grandes entraves do governo Rousseff formou-se justamente na falta de conexão entre o Palácio e os movimentos sociais. 

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical foi criado, em junho de 2000, em um Congresso que reuniu mais de 5 mil participantes, para preencher uma lacuna e corrigir uma injustiça histórica contra esse importante segmento, lutando para oferecer uma vida com dignidade a quem tanto contribuiu para o crescimento e desenvolvimento do País.

Está marcada para os dias 2 e 3 de junho a reunião do Copom que deverá aumentar a taxa básica de juros (Selic), ultrapassando os já estratosféricos 13,25% ao ano atuais. Tanto que a Força Sindical, ao lado da CGTB e de movimentos sociais, marcaram para o dia 2, primeiro dia da reunião, às 10 horas, em frente à sede do Banco Central, em São Paulo, um ato de protesto contra o aumento dos juros.